Calculadora de Idade Gestacional e Tabela Gestacional Completa

Pré-natal Desenvolvimento fetal Exames recomendados

Calculadora de Idade Gestacional

Por data da última menstruação (DUM) ou por dados do ultrassom

Primeiro dia do último período menstrual
Deixe em branco para usar a data de hoje
Data em que o exame foi realizado
Deixe em branco para usar a data de hoje

Semanas + dias registrados no laudo do ultrassom

Este cálculo tem finalidade informativa. A definição da idade gestacional deve ser confirmada pelo médico assistente com base nos dados clínicos e ultrassonográficos.

Conceito clínico

O que é idade gestacional?

A idade gestacional (IG) corresponde ao tempo transcorrido desde o início da última menstruação até o momento em avaliação. Por convenção, a gestação humana tem duração média de 280 dias, ou 40 semanas completas, contadas a partir do primeiro dia da última menstruação (DUM), conforme estabelecido pela Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia (FIGO).

A contagem em semanas — e não em meses — é adotada na prática obstétrica porque o desenvolvimento fetal apresenta variações significativas a cada semana, especialmente no primeiro trimestre. A precisão semanal permite correlacionar achados de exames complementares, biometria fetal e condutas terapêuticas com a fase exata da gestação.

A idade gestacional não equivale à idade fetal. A idade fetal é contada a partir da fertilização, que ocorre cerca de 14 dias após a DUM. Portanto, a idade fetal é aproximadamente duas semanas menor do que a idade gestacional.

Terminologia

Siglas e termos fundamentais

Estes termos são utilizados ao longo desta página e na prática clínica obstétrica.

DUM — Data da última menstruação
DPP — Data provável do parto
IG — Idade gestacional
BCF — Batimentos cardíacos fetais
TN — Translucência nucal
TOTG — Teste oral de tolerância à glicose
CTG — Cardiotocografia
USG TV — Ultrassom transvaginal

Classificação quanto ao tempo gestacional

  • Pré-termo extremo: menos de 28 semanas
  • Pré-termo moderado: 28 a 33 semanas e 6 dias
  • Pré-termo tardio: 34 a 36 semanas e 6 dias
  • A termo precoce: 37 a 38 semanas e 6 dias
  • A termo: 39 a 40 semanas e 6 dias
  • A termo tardio: 41 semanas e 0 a 6 dias
  • Pós-termo: 42 semanas ou mais

Metodologia

Como se calcula a idade gestacional

O cálculo da IG pode ser realizado por dois métodos principais, que se complementam e devem ser cotejados ao longo do acompanhamento pré-natal.

Método pela DUM — Regra de Naegele

O método mais utilizado parte da data do primeiro dia da última menstruação. A DPP é estimada adicionando-se 280 dias à DUM (ou, pela Regra de Naegele: adicionar 7 dias e 9 meses ao mês da DUM). Para calcular a IG em semanas em qualquer data posterior:

  1. Determine o número de dias entre a DUM e a data de referência.
  2. Divida o total de dias por 7.
  3. O quociente inteiro representa as semanas completas; o resto, os dias adicionais.
Exemplo: DUM em 1º de janeiro. Na data de 15 de abril (104 dias depois), a IG é de 14 semanas e 6 dias (104 ÷ 7 = 14,85).

Método pelo ultrassom

Quando a DUM é incerta ou quando há discordância entre a IG menstrual e a biometria fetal ao ultrassom, a datação ultrassonográfica tem precedência. A precisão é maior quanto mais precoce o exame:

  • 1º trimestre (até 13 sem 6 dias): medida do comprimento cabeça-nádega (CCN) — margem de erro de ±5 a 7 dias.
  • 2º trimestre (14–28 semanas): biometria fetal — margem de ±14 dias.
  • 3º trimestre: menor precisão para datação — ±21 a 28 dias.

O princípio geral adotado pelo ACOG é reatribuir a DPP pelo USG de 1º trimestre quando a discordância com a DUM for superior a 7 dias.

Referência clínica

Tabela Gestacional Completa — Semana a Semana

A tabela apresenta, para cada semana gestacional, o mês e trimestre correspondentes, os marcos do desenvolvimento fetal e os exames de rotina recomendados conforme os protocolos do Ministério da Saúde e da FEBRASGO. Utilize a calculadora acima para destacar automaticamente a semana atual da paciente.

Semana atual da paciente destacada:
Semana Mês Trimestre Desenvolvimento fetal Exames recomendados

Referências: FEBRASGO (2022), Ministério da Saúde — Manual de Gestação de Alto Risco (2022), ACOG Practice Bulletin. Os exames listados são de rastreamento de rotina; a conduta deve ser individualizada pelo médico assistente.

Desenvolvimento gestacional

Os três trimestres da gestação

A gestação é dividida em três trimestres, cada um com características próprias quanto ao desenvolvimento fetal, à fisiologia materna e ao calendário de exames e consultas.

1º Trimestre

Semanas 1 a 13

Organogênese e diferenciação celular

Desenvolvimento fetal

  • Fertilização, clivagem e implantação do blastocisto (sem. 1–2)
  • Formação dos três folhetos embrionários: ectoderma, mesoderma e endoderma
  • Neurulação e fechamento do tubo neural (sem. 3–4)
  • Batimentos cardíacos detectáveis ao USG transvaginal (a partir da sem. 6)
  • Organogênese completa a partir da 8ª semana
  • Translucência nucal mensurável entre 11 sem 0 dia e 13 sem 6 dias

Exames principais

  • Beta-HCG qualitativo e quantitativo
  • Sorologias: VDRL, toxoplasmose, rubéola, CMV, HIV, HBsAg
  • Hemograma, tipagem sanguínea e Rh, glicemia de jejum
  • USG transvaginal (confirmação de vitalidade e datação)
  • USG 1º trimestre com TN + PAPP-A e β-hCG livre (sem. 11–13)

Sintomas maternos frequentes

  • Náuseas e vômitos matinais
  • Fadiga intensa, sonolência, polaciúria
  • Mastalgia e hipersensibilidade mamária
2º Trimestre

Semanas 14 a 26

Crescimento fetal e maturação funcional

Desenvolvimento fetal

  • Fase de crescimento acelerado; peso passa de ~43 g (sem. 14) para ~820 g (sem. 26)
  • Movimentos fetais percebidos pela gestante a partir de 18–20 semanas
  • USG morfológica de 2º trimestre: avaliação anatômica completa (sem. 20–24)
  • Limiar de viabilidade fetal: 22–24 semanas com suporte de UTI neonatal
  • Audição funcional e resposta a estímulos sonoros (a partir da sem. 24)

Exames principais

  • USG morfológica do 2º trimestre (sem. 20–24)
  • Ecocardiografia fetal (sem. 24–28, se indicada)
  • TOTG 75g — rastreamento de diabetes gestacional (sem. 24–28)
  • Hemograma, VDRL 2ª dosagem
  • Sorologia toxoplasmose (repetição se não imune)

Sintomas maternos frequentes

  • Melhora das náuseas; ganho ponderal progressivo
  • Dor lombar, edema de membros inferiores
  • Contrações de Braxton Hicks (indolores)
3º Trimestre

Semanas 27 a 42

Maturação orgânica e preparação para o parto

Desenvolvimento fetal

  • Rápida maturação pulmonar: produção crescente de surfactante (sem. 27–34)
  • Mielinização cerebral intensa e desenvolvimento neurológico acelerado
  • Deposição progressiva de gordura subcutânea
  • Maturidade orgânica completa a partir de 37 semanas
  • Insinuação fetal (descida para a pelve) em torno de 36–37 semanas

Exames principais

  • USG 3º trimestre com biometria e Doppler (sem. 28–32)
  • Imunoglobulina anti-D (se Rh negativa, sem. 28)
  • Cultura vaginal/retal para Streptococcus agalactiae (sem. 35–37)
  • CTG seriada a partir de 36–37 semanas
  • Perfil biofísico fetal e avaliação para indução (a partir de 41 semanas)

Sintomas maternos frequentes

  • Dispneia por elevação do diafragma
  • Azia intensa, insônia, dor pélvica ligamentar
  • Edema generalizado; vigilância para pré-eclâmpsia

Datação obstétrica

Determinação da IG quando a DUM é desconhecida ou incerta

Diversas situações clínicas impedem o uso confiável da DUM: ciclos irregulares, uso recente de contraceptivos hormonais, sangramento periconcepcional ou descoberta tardia da gravidez. Nessas circunstâncias, o obstetra dispõe de três métodos complementares para estimar a IG.

1

Ultrassonografia

O método de maior precisão. No 1º trimestre, a medida do comprimento cabeça-nádega (CCN) permite estimar a IG com margem de ±5 dias. A partir da 6ª semana, o USG transvaginal identifica o saco gestacional e o embrião. Entre 11 e 14 semanas, a medida da translucência nucal complementa a datação e o rastreamento cromossômico. A confiabilidade diminui progressivamente ao longo do 2º e 3º trimestres.

2

Altura uterina

A partir da 12ª semana, o útero se torna palpável acima da sínfise púbica. A mensuração da altura uterina (AU) correlaciona-se com a IG de forma progressiva: com 20 semanas, o fundo uterino atinge o nível do umbigo; com 36 semanas, aproxima-se do apêndice xifóide. Esse método tem limitações em gestações múltiplas, polidrâmnio, obesidade materna e alterações uterinas.

3

Gonadotrofina coriônica (β-hCG)

A dosagem sérica quantitativa do β-hCG é útil nas primeiras semanas, antes da visualização ultrassonográfica do embrião. Os níveis duplicam aproximadamente a cada 48 horas no início da gestação normal e atingem o pico entre 8 e 10 semanas. A correlação entre os valores de β-hCG e a IG é apenas orientativa, dado que os intervalos de referência têm ampla variação individual. Esse parâmetro deve ser interpretado em conjunto com o USG.

Perguntas frequentes

Dúvidas sobre idade gestacional

Questões comuns de médicos e gestantes sobre o cálculo e a interpretação da idade gestacional.

Uma gestação a termo tem duração entre 37 e 42 semanas completas contadas a partir da DUM. A duração média é de 40 semanas (280 dias). Gestações antes de 37 semanas completas são classificadas como pré-termo; após 42 semanas, como pós-termo. A Organização Mundial da Saúde (OMS) e a FIGO estabelecem a semana 39–40 como o intervalo de desfecho neonatal mais favorável para gestações sem complicações.

Pela Regra de Naegele, a DPP é calculada adicionando-se 7 dias ao primeiro dia da DUM e subtraindo-se 3 meses (ou adicionando-se 9 meses) ao mês correspondente. Matematicamente, esse procedimento equivale a adicionar 280 dias (40 semanas) à DUM. Exemplo: DUM em 1º de março → DPP em 8 de dezembro.

A idade gestacional (IG) é contada a partir do primeiro dia da última menstruação (DUM), enquanto a idade fetal é contada a partir da fertilização (concepção). Como a ovulação e a fertilização ocorrem em média 14 dias após o início da menstruação, a idade fetal é aproximadamente duas semanas menor do que a IG. Em relatos anatomopatológicos e em embriologia, frequentemente se utiliza a idade fetal; na prática clínica obstétrica, usa-se sempre a IG.

De acordo com a ACOG e a FIGO, a classificação quanto à IG no nascimento é:
  • Pré-termo extremo: menos de 28 semanas
  • Pré-termo moderado: 28 sem 0 dia a 33 sem 6 dias
  • Pré-termo tardio: 34 sem 0 dia a 36 sem 6 dias
  • A termo precoce: 37 sem 0 dia a 38 sem 6 dias
  • A termo: 39 sem 0 dia a 40 sem 6 dias
  • A termo tardio: 41 sem 0 dia a 41 sem 6 dias
  • Pós-termo: 42 semanas ou mais

Não. A DPP é uma estimativa estatística, não uma previsão precisa. Apenas 4% a 5% das gestações resultam em parto exatamente na DPP calculada. Considera-se normal o parto espontâneo entre 37 e 42 semanas completas. A DPP tem valor clínico para orientar o calendário pré-natal, os exames de rastreamento e a decisão sobre indução do trabalho de parto.

Quando o USG de 1º trimestre é disponível, ele é considerado o método mais preciso para datação — especialmente até 13 semanas e 6 dias, quando a margem de erro é de ±5 dias. A DUM é confiável apenas quando a paciente tem certeza da data e ciclos regulares. Se a diferença entre a IG pela DUM e pelo USG de 1º trimestre for superior a 7 dias, a ACOG recomenda adotar a datação pelo ultrassom como referência para todo o acompanhamento pré-natal.

A correspondência entre semanas e meses na gestação não é uniforme. A equivalência usualmente adotada na prática clínica brasileira é: 1º mês (sem. 1–4); 2º mês (sem. 5–8); 3º mês (sem. 9–13); 4º mês (sem. 14–17); 5º mês (sem. 18–22); 6º mês (sem. 23–26); 7º mês (sem. 27–30); 8º mês (sem. 31–35); 9º mês (sem. 36–40).

A translucência nucal (TN) é uma medida ultrassonográfica da coleção de fluido na região posterior do pescoço fetal. Valores aumentados associam-se a risco elevado de aneuploidias (trissomia do 21, 18 e 13) e cardiopatias congênitas. A janela de realização é estreita: entre 11 semanas 0 dia e 13 semanas 6 dias, com CCN fetal entre 45 e 84 mm. A TN é componente do rastreamento combinado do 1º trimestre, que inclui também a bioquímica sérica materna (PAPP-A e beta-hCG livre).

Sim. O HiDoctor conta com um módulo específico de pré-natal integrado ao prontuário eletrônico, que permite registrar e acompanhar a IG, os resultados dos exames de cada trimestre, o peso e a altura uterina da gestante, os movimentos fetais e os dados do partograma. A calculadora gestacional está disponível diretamente no prontuário, dispensando o acesso a ferramentas externas durante a consulta.

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