Calculadora de dose pediátrica por peso e idade

Pediatria Cálculo de dosagens Posologia infantil
Dados do paciente
Resultado
Dose calculada
Dose prescrita
Volume (suspensão)
Intervalo
Esta calculadora é uma ferramenta de apoio ao estudo e à prática clínica. O diagnóstico, a escolha do fármaco e a validação da dose são responsabilidade do médico, considerando o quadro clínico, comorbidades, alergias e interações medicamentosas. Confirme sempre com a bula vigente.

Erros de dosagem em pediatria estão entre as principais causas de eventos adversos medicamentosos em ambiente hospitalar e ambulatorial. As falhas mais frequentes envolvem o uso de dose de adulto sem ajuste por peso, a confusão entre concentrações de apresentações distintas de um mesmo fármaco (por exemplo, dipirona 500 mg/ml em gotas versus 50 mg/ml em solução oral) e a não aplicação do teto de dose máxima absoluta — parâmetro independente do peso que limita a dose calculada ao máximo aprovado para adultos.

Dose por peso

O peso em kg é o principal parâmetro de cálculo. Quando não disponível, utiliza-se a fórmula estimada de Broselow para crianças de 1 a 12 anos: peso (kg) ≈ (idade em anos × 2) + 8.

Dose máxima absoluta

Toda dose calculada por mg/kg deve ser comparada ao teto máximo do fármaco. A menor entre as duas (calculada e máxima) é sempre a dose prescrita.

Faixa etária

Além do peso, a faixa etária define contraindicações específicas: ibuprofeno é contraindicado abaixo de 6 meses; ácido acetilsalicílico, abaixo de 12 anos (síndrome de Reye); tetraciclinhas, abaixo de 8 anos.

Tabela de medicamentos pediátricos

A tabela abaixo apresenta os principais medicamentos utilizados em pediatria com suas respectivas doses em mg/kg, intervalos de administração, dose máxima absoluta e observações clínicas relevantes. Os dados baseiam-se nos protocolos da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e na literatura farmacológica pediátrica vigente.

Medicamento Categoria Dose (mg/kg/dose) Intervalo Dose máxima Faixa etária mínima Observações

Tabela rápida de faixas etárias e considerações

Cada faixa etária pediátrica apresenta características farmacocinéticas e farmacológicas distintas que afetam diretamente a escolha e o cálculo da dose. A tabela a seguir resume as principais considerações clínicas por grupo.

Faixa etária Período Peso aprox. (P50) Particularidades farmacocinéticas Restrições frequentes
RN prematuro < 37 semanas de IG < 2,5 kg Filtração glomerular muito baixa; metabolismo hepático imaturo; barreira hematoencefálica permeável; maior risco de kernicterus com fármacos que deslocam bilirrubina. Evitar AINEs; contraindicação a sulfas e ceftriaxona (deslocamento de bilirrubina); doses ajustadas pela IG corrigida.
RN a termo 0–28 dias 3,0–4,0 kg TFG atinge 25–35% do adulto; meia-vida de fármacos renais prolongada; glucuronidação hepática reduzida nos primeiros 7–14 dias. Ibuprofeno contraindicado; dipirona com cautela; preferência por paracetamol com intervalo alargado (6–8h).
Lactente 1–24 meses 4,0–12,0 kg Maturação renal progressiva (TFG adulta ≈ 6–12 meses); aumento do volume de distribuição relativo; enzimas CYP em amadurecimento. Ibuprofeno apenas ≥ 6 meses; uso exclusivo de suspensão oral ou gotas; evitar formulações comprimido.
Pré-escolar 2–5 anos 12–20 kg Função renal e hepática próximas do adulto; volume de distribuição relativo ainda maior que adulto para fármacos hidrofílicos. Verificar disponibilidade de formulações pediátricas; não triturar comprimidos de liberação prolongada.
Escolar 6–12 anos 20–45 kg Farmacocinética próxima ao adulto; dose por mg/kg pode já atingir dose máxima adulta em crianças mais pesadas do grupo. Sempre aplicar teto de dose máxima; ácido acetilsalicílico ainda contraindicado (síndrome de Reye).
Adolescente 12–18 anos 45–75 kg Parâmetros farmacocinéticos equivalentes ao adulto; considerar peso ideal em adolescentes com obesidade para aminoglicosídeos e vancomicina. Para a maioria dos fármacos, usar dose adulta quando peso ≥ 50 kg; avaliar desenvolvimento puberal e maturação óssea em uso de fluoroquinolonas.

Tabela gestacional — Dosagem em recém-nascidos e prematuros

Em recém-nascidos, especialmente prematuros, a idade gestacional (IG) e a idade cronológica (idade pós-natal) determinam conjuntamente a maturidade funcional dos órgãos de metabolização e excreção. Para prescrições neonatais, utiliza-se a idade pós-menstrual (IPM) = IG ao nascimento + idade cronológica em semanas.

Conceitos fundamentais
Idade gestacional (IG)
Semanas de gestação ao nascimento. Determina o grau de maturidade orgânica.
Idade cronológica
Semanas ou dias de vida após o nascimento.
Idade pós-menstrual (IPM)
IG + idade cronológica. Usada para ajuste de dose e frequência em neonatologia.
Idade corrigida (IC)
Idade equivalente se o prematuro tivesse nascido a termo (40 semanas). Usada até 24 meses para marcos do desenvolvimento; menos relevante para cálculo de dose — prefira a IPM.
Classificação por peso ao nascer
Classificação Peso ao nascer
Macrossômico > 4.000 g
Normal 2.500 – 4.000 g
Baixo peso (BPN) 1.500 – 2.500 g
Muito baixo peso (MBPN) 1.000 – 1.500 g
Extremo baixo peso (EBPN) < 1.000 g
Medicamento IPM < 28 sem IPM 28–32 sem IPM 32–37 sem IPM ≥ 37 sem (RN a termo) Dose máxima RN Observação
Paracetamol IV/oral 7,5 mg/kg a cada 12h 10 mg/kg a cada 12h 10 mg/kg a cada 8h 10–15 mg/kg a cada 6–8h 30 mg/kg/dia (prematuro); 60 mg/kg/dia (a termo) Preferência à via oral; IV apenas se indisponível
Ampicilina 50 mg/kg a cada 12h 50 mg/kg a cada 12h 50 mg/kg a cada 8h 50 mg/kg a cada 6h 200–400 mg/kg/dia Sepse neonatal: associar gentamicina; ajustar intervalo pela IPM
Gentamicina 5 mg/kg a cada 48h 4 mg/kg a cada 36h 4 mg/kg a cada 24h 4–5 mg/kg a cada 24h Dosar nível sérico (pico/vale) Monitorizar função renal e nível sérico; ototoxicidade; nefrotoxicidade
Cafeína (citrato) Dose de ataque: 20 mg/kg IV ou VO (dose única); Manutenção: 5–10 mg/kg/dia a cada 24h Uso exclusivo para apneia da prematuridade; IPM < 33 sem como indicação principal
Fenobarbital 20 mg/kg IV (ataque); 3–5 mg/kg/dia (manutenção) 20 mg/kg IV (ataque); 3–5 mg/kg/dia (manutenção) 20 mg/kg IV (ataque); 4–5 mg/kg/dia (manutenção) 20 mg/kg IV (ataque); 5 mg/kg/dia (manutenção) 40 mg/kg (ataque acumulado) Convulsão neonatal; monitorar nível sérico (alvo: 20–40 µg/ml); depressor respiratório
Indometacina (fechamento de PCA) 0,1–0,2 mg/kg IV (intervalo por IPM) 0,1–0,2 mg/kg IV Não habitual nessa faixa Contraindicada em RN a termo com função renal comprometida 3 doses totais Contraindicada em disfunção renal, plaquetopenia < 60.000, enterocolite necrosante, sangramento ativo
Vitamina K (profilaxia) 0,5 mg IM (único) 0,5–1 mg IM (único) 1 mg IM (único) 1 mg/dose única Dose única ao nascimento para prevenção de doença hemorrágica do RN; IM preferível à via oral
Atenção: Doses neonatais devem ser validadas por neonatologista. Os valores acima são referências gerais; protocolos locais e publicações como o Neofax/Micromedex Neonatal devem ser consultados para cada prescrição.

Erros comuns de dosagem pediátrica

Os erros de dosagem pediátrica são preveníveis em sua maioria. O reconhecimento das situações de risco é o primeiro passo para sua eliminação.

1. Omissão do teto de dose máxima

Crianças obesas ou com peso elevado para a faixa etária podem ter a dose calculada por mg/kg excedendo o máximo aprovado. Exemplo: criança de 55 kg com paracetamol 15 mg/kg = 825 mg, acima do máximo de 750 mg/dose para crianças (ou 1.000 mg para adultos).

Prevenção: Sempre comparar a dose calculada com o teto máximo absoluto e prescrever a menor das duas.
2. Confusão entre concentrações de apresentações

Dipirona gotas (500 mg/ml) e dipirona solução oral (50 mg/ml, apresentação infantil) têm concentrações 10 vezes diferentes. Prescrever "x ml" sem especificar a apresentação é um erro de alta gravidade.

Prevenção: Especificar sempre a concentração (mg/ml) na prescrição, nunca apenas o volume.
3. Confundir dose/kg/dose com dose/kg/dia

Amoxicilina 50 mg/kg/dia dividida em 2 doses = 25 mg/kg/dose, não 50 mg/kg/dose. Administrar 50 mg/kg a cada 12 horas resulta em dose diária dobrada (100 mg/kg/dia).

Prevenção: Ler bulas e protocolos atentamente quanto à especificação "por dose" ou "por dia".
4. Ibuprofeno em menores de 6 meses

Ibuprofeno está contraindicado em lactentes com menos de 6 meses de vida por risco de toxicidade renal e disfunção plaquetária. Alguns protocolos estabelecem restrição de peso mínimo adicional (≥ 5–6 kg).

Prevenção: Confirmar idade antes de prescrever AINEs; paracetamol é a alternativa segura nessa faixa.
5. Não ajustar o intervalo em prematuros

A imaturidade renal e hepática em prematuros prolonga a meia-vida da maioria dos fármacos. Utilizar o intervalo padrão sem ajuste pela idade pós-menstrual resulta em acúmulo e toxicidade.

Prevenção: Utilizar tabelas de dosagem neonatal (ex.: Neofax) e ajustar o intervalo pela IPM.
6. Trituração de comprimidos de liberação controlada

Comprimidos de liberação prolongada ou entérica não devem ser triturados. A trituração elimina o mecanismo de liberação e libera a dose total de forma abrupta, com risco de toxicidade aguda.

Prevenção: Verificar se há formulação líquida disponível ou substituir por fármaco equivalente em apresentação pediátrica.

Perguntas frequentes

A dose/kg/dose indica a quantidade administrada em cada tomada isolada. A dose/kg/dia representa o total acumulado em 24 horas. Para obter a dose por tomada a partir da dose diária, divide-se pelo número de administrações previstas: dose/tomada = (dose/kg/dia × peso) ÷ número de doses/dia. A confusão entre esses dois parâmetros é uma das principais causas de superdosagem em pediatria, especialmente com antibióticos.

Para crianças de 1 a 12 anos, utiliza-se a fórmula de Broselow: peso estimado (kg) = (idade em anos × 2) + 8. Essa fórmula pode subestimar o peso em crianças com excesso de peso, o que representa risco de subdosagem para antibióticos. Para recém-nascidos a termo, admite-se peso médio de 3,2 a 3,5 kg na ausência de dados. A fita de Broselow (código de cores por comprimento) é mais precisa que a fórmula e recomendada em ambientes de emergência pediátrica.

A idade pós-menstrual (IPM) é a soma da idade gestacional ao nascimento com a idade cronológica pós-natal, expressa em semanas. Por exemplo, um prematuro nascido com 28 semanas de IG que está há 3 semanas de vida tem IPM de 31 semanas. A IPM determina o grau de maturação renal e hepática e, consequentemente, o intervalo entre doses de fármacos com eliminação renal. Quanto menor a IPM, menor a taxa de filtração glomerular e maior o intervalo necessário entre doses para evitar acúmulo e toxicidade.

Conforme protocolo da Sociedade Brasileira de Pediatria, a dose alta de amoxicilina (80 a 90 mg/kg/dia, máximo 3 g/dia) é indicada nas seguintes situações: otite média aguda em crianças menores de 2 anos, otite bilateral, otite com otorreia, falha de tratamento com dose padrão nos últimos 30 dias, e frequentadores de creche com alta exposição a pneumococo. A dose padrão (40 a 50 mg/kg/dia) mantém-se para infecções de vias aéreas superiores sem risco para Streptococcus pneumoniae resistente.